Na trave

- Por mais amor que se dedique a alguém ou alguma coisa, sempre haverá nela algumas coisas que irritam profundamente. Isso se aplica a tudo nessa vida, mas me refiro neste caso à Diretoria do São Paulo FC, que tão boas gestões tem feito em tempos recentes. Só que em todo jogo importante do SP é a mesma coisa: uma fila terrível para comprar, um sistema LIXOOOO da medonha empresa Ingresso Fácil e um esquema de vendas que parece querer dificultar ao máximo a vida do torcedor. Ou do sócio-torcedor: afinal, por que os ingressos "normais" começaram a ser vendidos no domingo e os de sócio-torcedor somente na segunda-feira, dia em que é preciso trabalhar??? Desta vez não pude fugir na hora do almoço para comprar e dancei. Ano passado fiz isso com imensa tranqüilidade no próprio domingo. Por tudo isso, este ano as chances de eu assistir à partida no Morumbi são no momento praticamente nulas. Aliás, por falar no Morumbi: por que os ingressos no domingo foram vendidos exclusivamente lá?? Não era melhor descentralizar as vendas e evitar que pessoas tivessem que varar a noite e mesmo assim saíssem sem ingresso? Lamentável, viu.

- Semana passada, após perceber (alguns já tinham percebido...) que eu ando meio viciado nesse negócio de dança de salão, voltei às minhas origens e fui a um incrível show de punk rock: a Ramones Fest, no Via Funchal, em homenagem aos 30 anos do primeiro CD dos Ramones e com participação especial de Marky Ramone (o baterista da formação clássica da banda, ele que já veio 839 vezes ao Brasil). Deixei para comprar o ingresso na hora do show confiando em uma premissa arriscada: punk rocker que é punk não vai em massa ao Via Funchal, na Vila Olímpia, gastar 80 paus pra ver outra vez o Marky Ramone... Claro que eu acho que isso não tem nada a ver, mas confiei que um monte de gente pensasse desse jeito... E me dei bem: o lugar não estava vazio, mas esteve longe de lotar.

- A primeira banda a tocar foi o Tequila Baby, conhecida banda gaúcha da linha ramoniana. Eu até gosto deles, apesar de algumas letras extremamente esdrúxulas... mas no final a voz do vocalista já cansava um pouco os ouvidos - prejudicada, diga-se, pelo estridente som da casa. Não tem jeito, o único lugar com acústica satisfatória para shows desse tipo é o Hangar 110. Em seguida entrou a ótima banda americana The Queers. Praticamente sem conversar com o público, promoveram seqüências sem nenhuma pausa (nem para os clássicos "One, two, three, four" à la Ramones antes do início de cada canção). Muito bom.

- Para terminar, Marky Ramone é saudado como um deus pelo público e vai anunciando um a um os clássicos dos Ramones, acompanhado (novamente) pelo Tequila Baby: "The KKK Took My Baby Away", "Teenage Lobotomy", "53rd & 3rd", "Cretin Hop", "Pet Sematary" (que Marky se atrapalhou e anunciou duas vezes, uma antes e outra depois de tê-la tocado), "Blitzkrieg Bop" e muitas outras... até "What a Wonderful World", em versão próxima à gravada por Joey Ramone em carreira solo... que beleza.

- No final, um negócio engraçado que acabou me decepcionando um pouco. Marky jogou uma das baquetas que usou no show para o pessoal que estava próximo a ele. Foi para o outro lado do palco, ficou de costas e jogou a outra baqueta para trás... ela rebateu no monte de mãos do pessoal próximo a mim e repousou nos braços de um senhor que via o show um pouco (beeeem pouco) atrás. Se eu tivesse um passo à direita... teria grandes chances de conquistar essa pequena lembrança. Tsc, tsc, tsc.

- É isso!

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