Férias do Turista Solitário - Parte 3

Minhas férias terminaram nesta quarta-feira, mas eu ainda tenho algumas coisas dela para contar aqui.

Para começar, uma curiosidade: pra quem se recorda, passei pelo pronto socorro há umas três semanas (coisas raríssima - pra não dizer inédita - em minha vida). Na semana passada, assim que fui dormir na madrugada de segunda para terça-feira, comecei a sentir muito, muito, muito frio e a tremer demais. Coloquei vários agasalhos e fiquei mais de 40 minutos esperando aquilo passar... Mas acabei acordando meu irmão, que me deu um remédio. Ao que parece ele também ficou um pouco assustado... primeiro, porque nunca tinha me visto daquele jeito; e segundo, porque deve ter despertado pensando que estava de plantão... Por causa disso tudo, perdi terça e quarta-feira porque fiquei de molho em casa, sem grandes aventuras.

Na quinta-feira fui para a região da Luz, para ver tudo o que há por ali: Estação Júlio Prestes, Estação da Luz, Pinacoteca, Estação Pinacoteca e Parque da Luz.

Estacionei ao lado da Estação Júlio Prestes e caminhei até a Sala São Paulo, mas não dava para conhecer nada lá naquele momento. Havia apenas umas oito escolas fazendo excursão ao local. Medo.

Saí e fui à Estação Pinacoteca, que é um local com exposições fora da Pinacoteca. Imaginava  que o local fosse minúsculo e sem nada de interessante, mas no primeiro andar havia uma exposição muito legal chamada Os Mestres do Modernismo. Obras de Anita Malfatti, Lasar Segall,  Victor Brecheret, Tarsila do Amaral... Além de um painel mostrando a cronologia dos fatos no Brasil e no mundo e do que ocorria simultaneamente no movimento modernista. Bem legal.

Subi um andar e havia uma exposição de gravuras do artista Márcio Périgo. Passei rapidamente (muita fome nessa hora). No andar de cima, a obra de mais duas artistas. Uma, Silvia Mecozzi, faz uns lances curiosos com canudinhos. A outra, Marianita Luzzati faz uns quadros gigantes mais legais. Desci, almocei um misto quente e um pão de queijo e segui para o ponto principal do meu passeio. Curiosidade: visitar a Pinacoteca OU a Estação Pinacoteca custa 4 reais; visitar a Pinacoteca E a Estação Pinacoteca custa 5 reais. O misto quente custa 4,50 reais. Ou seja: ver diversas obras de arte na Pinacoteca vale menos do que um misto quente. Vai entender. (*) 

Entrei na Pinacoteca do Estado. A grande atração era a mostra de esculturas de Henry Moore (que terminou no domingo). Sinceramente não vi graça nenhuma. Gostei muito mais do acervo, a exposição permanente, que permite observar obras de diversas épocas e de diversos estilos. Até a sala de um tipo de pintura que eu sempre achei muito inútil é bem interessante: o de natureza-morta.

Ah, claro, o próprio prédio da Pinacoteca já é uma atração à parte...

É impressionante também a quantidade de excursões escolares que estavam ali. Eram na maioria adolescentes e bem mais comportados do que os pequenos da Sala São Paulo. Fiquei até com vontade de acompanhar algumas das aulas que os monitores davam para eles. Espero que todos tenham consciência de tudo que puderam ou poderiam aprender ali dentro.

Saindo de lá dei uma volta pelo Parque da Luz (os fundos da Pinacoteca estão DENTRO dele). Fiquei impressionado, pois é um espetáculo de parque (muitas fontes, uma cachoeira, muitas e muitas árvores, jardins em boa parte bem cuidados, lago com tartarugas e peixes). Mas muita gente que freqüenta o parque tem algo de estranho... um dia retorno a esse assunto. Talvez no próximo post...

(*) Para corrigir isso, é interessante diminuir o preço do misto quente, e não aumentar o ingresso da Pinacoteca.

Férias do Turista Solitário - Intervalo

A série "Andanças" continua, sim; ela apenas mudou de nome. Mas faço nela um breve intervalo, pois este post é sobre duas coisas específicas:

1) Sr. e Sra. Smith - Você concorda comigo que cinema é entretenimento, perfeito? Você tem consciência de que nos filmes de ação os protagonistas jamais serão atingidos mortalmente por tiros ou explosões - mesmo quando 539 mil atiradores surgirem em automóveis, helicópteros, saindo de janelas, porões, armários ou gavetas, não é mesmo? Você abstrai cenas extremamente exageradas pois sabe que aquilo é simplesmente um filme, correto? Então eu te aconselho fortemente a assistir a este Sr. e Sra. Smith, que teve sua estréia nesta semana e é protagonizado pelo feioso casal Brad Pitt e Ela. Não, na verdade eu não acredito em angelinajolis. Elas não existem, não podem existir, e são mero fruto dos recursos e efeitos especiais cada vez mais poderosos de Hollywood. Mas o filme, independente disso, é muito divertido - principalmente (mas não somente) nas partes sem os tais tiros e explosões. Notem também que os artifícios desenvolvidos por Lara Croft estão agora num estágio bem mais avançado. Eu gostei bastante.

2) Show do White Stripes - Fui no sábado com Murilo, Letícia, Marco e Fábio. Marcamos no Shopping Interlagos, jantamos e fomos ao Credicard Hall. Chegamos umas 20h45 (o show estava marcado para as 22h). Apenas a frente do palco tinha (pouca) gente. Vimos umas camisetas da turnê que estavam à venda (feinhas). Ficamos conversando e aguardando... Assistimos pelo menos duas vezes no telão ao anúncio de todos os grandes shows (teoricamente) que ocorrerão em SP até o final do ano. A platéia foi enchendo (mas não chegou a superlotar).

Lá pras 23 horas eles entraram. Com a empolgação do público, fomos empurrados cada vez mais para trás... Além disso, o palco daquele lugar é muito baixo! Vi melhor o Bad Religion no Anhembi no ano passado, por exemplo, do que o White Stripes (que estava umas 10 vezes mais perto) no Credicard Hall.

O show foi ótimo, muito bom mesmo, mas o repertório - PARA O MEU GOSTO - foi inferior ao do DVD. Eles tocaram algumas músicas do álbum novo (Get Behind Me Satan, aparentemente menos rock´n´roll) e "alongaram" outras canções. O glorioso Jack White estava com sua veia "blueseira" à flor da pele. Isso tudo (e o fato de não ter enxergado direito) fez com que o show não estivesse entre os cinco melhores que eu vi na vida. Mesmo assim, em nenhum momento foi chato ou arrastado. Eu só preferia que ele trocasse alguns solos gigantes (uma música durou uns 20 minutos) por umas 5 ou 6 músicas antigas. Mas valeu!

Andanças - Parte 2A

Antes de começar a parte 2 das minhas férias, um desabafo: andar pela cidade e visitar lugares desconhecidos é muito legal, mas fazer isso sozinho é um troço bem chatinho.

- Assunto universal: CINEMA! Assisti a dois filmes na sexta passada.

Vi boa parte da crítica malhando O Guia dos Mochileiros das Galáxias, o que me trouxe grande interesse por ele... Ah, o filme é bem simpático. Partes incrivelmente non sense, algumas bem trash, mas é bem legal sim. E revelou a mim uma nova "ídala" (sic): Zooey Deschanel. A única coisa extremamente desnecessária é terem trocado a voz do narrador original pela dublagem do José Wilker!

À noite vi Sahara, um genérico de Indiana Jones. Mas é interessante - o que pode ser comprovado por eu ter chegado bem cansado ao cinema e, mesmo vendo a sessão das 22h20, não ter dormido.

- Uma curiosidade: o "turista de meio de semana" tem um prejuízo considerável em suas visitas, pois em TODOS os museus que eu visitei havia obras e montagens visando os finais de semana. Não, "obras e montagens" não se refere a "quadros e teatro". É "tum-tum-tum" mesmo... Pedreiros, pregos, marteladas infinitas... Tudo para exposições e concertos que teriam início em datas futuras.

- MAM: na quinta fui ao Ibirapuera e, após almoçar num restaurante ao lado da marquise, visitei o Museu de Arte Moderna. Ou tentei, já que somente a sala Paulo Figueiredo estava aberta, com a exposição O retrato como Imagem do Mundo - ACERVO MAM. A outra estava sendo arrumada (!) para outra exposição. Pelo menos a entrada foi gratuita (o preço normal é R$ 5,50). Ah, tinha também o Projeto Parede.

Fiquei pensando como a arte moderna é democrática... Coisas muito banais tornam-se arte por razões que fogem ao meu domínio. Não estou dizendo que não seja legal, mas uma obra como Folíngua, uma moça com uma folha na boca, poderia perfeitamente estar fazendo graça no meu site ou no seu blog. É bem sacado, mas é uma foto curiosa com um trocadilho no título... o que a faz virar "arte"? É só criar um "conceito" sobre ela, um texto explicativo repleto de palavras abstratas e aí...

(continua no post abaixo)

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